26 Anos de tradição, Uma Geração de Inovação

Nicholas De Conto é o empresário gaúcho que une 26 anos de tradição na panificação artesanal. À frente do Pão da Nona, em Porto Alegre, ele preserva o legado familiar construído pelos pais e o expande para novos horizontes, provando que é possível honrar as raízes enquanto se constrói o futuro.

Em meio ao aroma do pão recém-saído do forno e às memórias de clientes que frequentam o mesmo endereço há duas décadas, Nicholas De Conto carrega algo raro: a capacidade de olhar para trás com gratidão e para frente com coragem. Filho de Erni e Carla, pais que começaram do zero, cresceu entendendo que trabalho não é fardo, mas caminho. Hoje comanda 32 colaboradores, pilota uma empresa de inteligência artificial e planeja expandir o Pão da Nona pela capital gaúcha, com a mesma simplicidade que seus pais lhe ensinaram desde criança.

O DNA que veio da lida e do amor

Nicholas nasceu em Porto Alegre, mas sua história começa nas origens humildes de seus pais. O pai, caçula de dez irmãos de Encantado, interior gaúcho, cresceu trabalhando na roça. Juntos, os dois abriram uma primeira padaria quando Nicholas tinha um ano, e depois fundaram o Pão da Nona com apenas 50 metros quadrados. Formado em Administração pela PUC-RS e em Negócios Exponenciais (NEX), ele absorveu na academia o que já vivia na prática.

“Sempre entendi que era necessário trabalhar, que era algo de valor, que fazia muito bem. Se não for assim, não tem como conquistar o que tu quer.”

Aos 18 anos, durante uma consultoria na padaria da família, um especialista revelou o enorme potencial de lucratividade do setor. Ali a decisão se consolidou. Antes disso, Nicholas ainda viveu outro capítulo formador: jogou futebol profissionalmente em Portugal, no União de Leiria, onde aprendeu que vontade e dedicação nivelam qualquer diferença de origem.

Do começo humilde à padaria de três andares

O Pão da Nona nasceu de uma necessidade genuína: mudar de vida. Os pais apostaram no setor quando as padarias viviam um momento de alta no Brasil. Começaram pequenos e foram crescendo, passando por quatro reformas. Hoje a padaria ocupa três andares, loja no térreo, estoque,fatiação,embalagem,refeitório,escritório no segundo, produção artesanal no terceiro, com 26 anos de operação e 32 colaboradores.

“A gente foi incluindo novos departamentos e evoluindo com o tempo vários segmentos dentro da loja. Quanto mais produto tu consegue oferecer dentro do segmento da padaria, maior o teu ticket médio e com certeza no final maior a tua lucratividade.”

O maior desafio foi também o maior aprendizado. Na pandemia, com os pais afastados por risco de saúde e o faturamento despencando 70%, Nicholas tocou a operação sozinho, tomou decisões difíceis e descobriu que era capaz. A quinta reforma, prevista para este ano, inclui expansão para o ponto ao lado, já em negociação.

Tradição que inova: da confeitaria francesa à inteligência artificial

O Pão da Nona atende as classes A e B de Porto Alegre, e Nicholas sabe que qualidade não é diferencial, é obrigação. O que o destaca é a combinação entre inovação constante e o aconchego que o nome carrega: Nona, avó em italiano. A confeitaria tem profissionais especializados, oferece produtos como entremet, acompanha tendências e lança novos itens mensalmente.

“A parte de estratégia, para se diferenciar, é tu manter sempre o progresso. Estar há 26 anos no mercado e estar sempre trazendo inovação, seja na parte de produto quanto na parte de tecnologia.”

Nicholas é também sócio da Effic.ia, empresa de agentes de inteligência artificial para negócios. A padaria foi o MVP: hoje a IA opera todo o pré-atendimento, e o próximo passo é usá-la para análise estratégica da produção, gerando relatórios semanais que indicam quais produtos produzir mais, quais reduzir e em quais dias a operação performa melhor. A operação já roda 90% com energia solar.

Honestidade, humildade e o feijão com arroz bem feitinho

Os valores de Nicholas não estão escritos na parede. Estão nos gestos do dia a dia. Ele conhece o nome de todos os 32 colaboradores, faz reuniões semanais individuais com as gerentes, encontros quinzenais de gestão e reuniões mensais com toda a liderança. O padeiro-chefe está na casa há 26 anos junto com o Confeiteiro que possui mais de 22 anos de empresa. Gerentes com 8 e 5 anos. Supervisores com 6. Colaboradores com 25, 20 e 11 anos de empresa.

“Seja simples, seja humilde. Sempre vai ter alguma experiência que outra pessoa já presenciou, uma realidade que talvez pra ti não exista. Então escuta, senta, absorve e seja humilde para entender e compreender.”

Os três pilares inegociáveis são relacionamento, honestidade e humildade. E uma filosofia que resume tudo: “O sucesso é consequência da disciplina aplicada com honestidade e constância.” Feijão com arroz bem feito, todos os dias.

As mulheres que sustentam o propósito

Júlia Koppe De Conto, sua esposa e parceira de mais de 11 anos, está ao lado nas decisões mais ousadas e nas noites em que novas ideias surgem após o expediente. Eduarda, sua filha de quase 4 anos, é a razão que dá sentido a tudo.

“Elas são o meu porquê. Ela sempre me apoia, está do meu lado nas minhas loucuras. Sem elas, não seria possível todo esse crescimento que a gente teve.”

Nicholas não acredita em equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Acredita em acordos: sentar com a família, ser transparente sobre as demandas e construir juntos o entendimento de que alguns períodos exigem mais. Essa honestidade com quem se ama, ele defende, é parte essencial do legado.

O impacto além do caixa

O Pão da Nona é parte viva do bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Nicholas é um dos cuidadores da praça em frente à padaria, organiza reformas no espaço com outros parceiros do bairro e mantém parcerias com escolas estaduais e municipais, doando pães, bolos e biscoitos para festas anuais. É parceiro do Rotary Club de Porto Alegre. Durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, a padaria atuou em pontos de coleta e abrigos, fornecendo lanches para quem mais precisava.

“Nós que trabalhamos com comida temos o dever de poder abençoar os outros, pelo menos com o alimento.”

Outra iniciativa que une impacto social e sustentabilidade é a parceria com a plataforma Food2Save, que permite comercializar produtos válidos do dia com desconto, reduzindo o desperdício alimentar e gerando rentabilidade na gestão de quebras da padaria.

Lojas pocket, filha herdeira e o legado que só começa

Os próximos passos são concretos: concluir a quinta reforma ainda este ano e abrir a primeira unidade pocket do Pão da Nona em 2027, formato enxuto com os produtos mais icônicos, menor custo operacional e maior alcance em Porto Alegre.

“Eu tenho um desejo gigante que o meu irmão Vicenzo abrace essa missão comigo e quero que daqui a 26 anos o meu negócio continue de pé. E se Deus quiser, a minha filha abrace ele pra continuar, quero atingir cada vez mais pessoas e contar essa história, é possível começar do zero e construir algo de valor”

Para jovens empreendedores de negócios de família, o conselho é direto: não se envergonhem da herança que receberam. Aproveitem cada dia ao lado dos pais, aprendam com quem construiu antes, e depois transformem, inovem e ampliem. Não enfrentem os desafios sozinhos façam parte de um ecossistema com outros empresários, é fundamental para o crescimento mais rápido e assertivo da tua empresa. Acima de tudo, acredite em Deus, porque em algum momento qualquer empreendedor se verá diante de uma barreira que nenhuma estratégia resolve sozinha.

Um Legado que Alimenta o Futuro

A história de Nicholas De Conto é a prova de que legado não se herda, se escolhe. Ele poderia ter seguido outro caminho, apostado em outra carreira, dado ouvidos àqueles que subestimam negócios de família. Em vez disso, abraçou com força o que seus pais construíram, respeitou o que funcionava e ousou transformar o que podia ser maior. Do pão artesanal aos agentes de inteligência artificial, do campo de futebol em Portugal à praça que cuida no Menino Deus, Nicholas constrói um legado feito de constância, humildade e fé. Um legado que não pertence só a ele: pertence à Júlia, à Eduarda, aos colaboradores de décadas e a cada cliente que entra no Pão da Nona carregando uma memória afetiva e saindo com uma nova.