Da arte da tatuagem à referência internacional em remoção a laser

Criado pela mãe e pela avó, Rafael Pereira começou a trabalhar aos 12 anos e encontrou na tatuagem sua primeira paixão. Anos depois, transformou a curiosidade em conhecimento e construiu uma trajetória que o levou a se tornar uma referência internacional em remoção a laser. Hoje, além de atender pacientes, forma profissionais dentro e fora do Brasil e defende que seu trabalho vai muito além da estética.

Quando fez sua primeira tatuagem, aos 13 anos, Rafael Pereira acreditava que carregaria aquela marca para o resto da vida. Na época, jamais imaginou que, décadas depois, dedicaria sua carreira justamente ao processo inverso: ajudar pessoas a apagar marcas que já não representavam quem elas eram.

Essa mudança exigiu muito mais do que coragem. Em uma época em que praticamente não existiam cursos, livros ou especialistas em remoção a laser no Brasil, Rafael decidiu estudar por conta própria. A escolha marcaria definitivamente sua trajetória. Hoje, reconhecido nacional e internacionalmente, ministra cursos, mentorias e palestras, forma profissionais em diferentes regiões do Brasil e prepara sua atuação em outros países.

Apesar do reconhecimento, faz questão de definir sua profissão de outras maneiras. Para ele, remover uma tatuagem raramente significa apenas eliminar um pigmento da pele. Em muitos casos, representa devolver autoestima, abrir novas oportunidades e permitir que as pessoas escrevam um novo capítulo de suas histórias.

Uma infância de responsabilidades

Nascido em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Rafael cresceu em uma realidade marcada por dificuldades financeiras. Criado por duas mulheres que sempre estiveram ao seu lado, compreendeu ainda criança que precisava contribuir com a renda da família e começou a trabalhar aos 12 anos.

A responsabilidade chegou cedo, assim como a vontade de construir uma vida melhor para elas. Enquanto muitos adolescentes ainda descobriam o mundo, Rafael já entendia que o trabalho seria o caminho para conquistar independência e retribuir tudo o que havia recebido dentro de casa.

Essa fase também revelou uma característica que definiria sua trajetória. Desde cedo, demonstrou um perfil inquieto e questionador. Gostava de entender como as coisas funcionavam e buscava aprender aquilo que poucos dominavam. Essa postura o levaria, anos mais tarde, a apostar em um mercado que ainda dava os primeiros passos no Brasil.

“Sempre quis ser diferente. Nunca gostei de padrões que limitassem aquilo em que acreditava.”

Da tatuagem ao despertar da remoção

A curiosidade levou Rafael à primeira tatuagem, aos 13 anos. Dois anos depois, já aprendia a tatuar. Naquela época, a arte ainda enfrentava forte preconceito social e estava longe da popularidade que conquistaria nas décadas seguintes.

Mais do que os desenhos, porém, o que despertava seu interesse era todo o processo envolvido. Gostava de entender os equipamentos, preparar os materiais, estudar pigmentos e dominar cada etapa da técnica. O resultado final era importante, mas o conhecimento por trás dele o fascinava ainda mais.

Foi justamente essa curiosidade que despertou a pergunta que mudaria sua carreira. Se existiam técnicas capazes de marcar a pele permanentemente, também deveria existir uma forma segura de remover essas marcas.

A resposta surgiu anos depois, durante um passeio de motocicleta, quando conheceu aquele que se tornaria seu mentor na remoção a laser. A conversa foi suficiente para despertar uma certeza, mesmo diante de um mercado que praticamente não existia no Brasil. “Foi ali que descobri que queria dedicar minha vida à remoção.”

Naquele momento, a remoção a laser praticamente não existia como profissão estruturada no Brasil. Havia pouca informação disponível e quase nenhum conteúdo técnico acessível. Sem encontrar um caminho pronto, Rafael decidiu construí-lo. Passou a pesquisar artigos científicos internacionais, traduzir materiais técnicos e estudar o funcionamento do laser e o comportamento dos pigmentos, buscando compreender profundamente a técnica antes mesmo de colocá-la em prática.

Essa busca constante pelo conhecimento se tornou uma das marcas de sua atuação. Anos depois, já reconhecido no setor, passou a defender que experiência prática e estudo aprofundado não podem ser substituídos pelos conteúdos rápidos das redes sociais. Para ele, a tecnologia facilita o acesso à informação, mas não substitui dedicação, prática e responsabilidade profissional.

“A internet pode ensinar teoria, mas a prática e o estudo verdadeiro são os que formam um profissional.”

Transformando conhecimento em profissão

Depois de anos de preparação, Rafael iniciou, em 2015, os primeiros atendimentos em remoção a laser. Três anos depois, fundou uma empresa dedicada exclusivamente à remoção de tatuagens e à despigmentação, processo utilizado para retirar pigmentos também de procedimentos como a micropigmentação. Era uma aposta em um segmento que ainda buscava espaço no mercado brasileiro.

Os resultados começaram a aparecer gradualmente. Vieram os convites para palestras, congressos, mentorias e para atuar como jurado em eventos especializados. O reconhecimento do mercado foi consequência de anos de estudo, pesquisa e prática clínica.

“Vi a proposta de fazer algo que praticamente ninguém fazia.”

O reconhecimento que ultrapassou fronteiras

O crescimento da empresa abriu espaço para uma nova fase da carreira. À medida que acumulava experiência e resultados, Rafael passou a ser convidado para ministrar cursos, participar de congressos e compartilhar o conhecimento construído ao longo de anos de estudo e prática.

Esse reconhecimento logo ultrapassou as fronteiras brasileiras. Um dos momentos mais marcantes da carreira aconteceu em São Paulo, quando foi convidado para abrir um importante congresso nacional de remoção a laser. Ao subir ao palco, foi recebido com aplausos de pé, gesto que simbolizou o respeito conquistado entre profissionais da área.

Pouco tempo depois, durante uma palestra na Argentina, percebeu que sua experiência também servia de referência fora do país. A projeção internacional ganhou novos capítulos com homenagens em congressos especializados, o reconhecimento na categoria máxima em um dos principais eventos do setor no Brasil, e o segundo lugar mundial na categoria despigmentação, conquistado em uma competição internacional realizada em Dubai.

Hoje, além de atender pacientes, Rafael forma profissionais de diferentes estados brasileiros, realiza mentorias para alunos do exterior e se prepara para ministrar cursos fora do país.

“Naquele momento pensei: Rafael, você não pode parar. Agora existem pessoas que se espelham em você.”

Muito além da estética

Apesar do reconhecimento técnico e da projeção internacional, Rafael faz questão de afirmar que nunca enxergou a remoção como um procedimento exclusivamente estético.

Ao longo da carreira, percebeu que muitas pessoas chegavam ao consultório carregando histórias que desejavam deixar para trás. Algumas buscavam apagar o nome de antigos relacionamentos. Outras tentavam reconstruir a autoestima após procedimentos mal-sucedidos. Também conheceu jovens que enfrentavam dificuldades para conquistar oportunidades de trabalho por causa de tatuagens no rosto.

Entre os casos que mais o marcaram está o de uma senhora que enfrentava um quadro severo de depressão e evitava sair de casa por vergonha de uma micropigmentação realizada anos antes. À medida que as sessões avançavam, Rafael acompanhou não apenas a transformação física, mas também a recuperação da autoestima daquela paciente.

Outro episódio envolveu jovens que, após iniciarem o tratamento de remoção, conseguiram ingressar no mercado de trabalho. Histórias como essas reforçaram sua convicção de que, muitas vezes, o procedimento representa muito mais do que a retirada de um pigmento.

“Por muitas vezes não é só tinta na pele. São cicatrizes na alma e na mente.”

Um legado que vai além da tinta

Foi dessa visão que nasceram os projetos Resgatando Olhares e Removendo as Cores do Passado. O primeiro surgiu para devolver autoestima a pessoas marcadas por procedimentos estéticos mal-sucedidos. O segundo busca mostrar que ninguém precisa permanecer preso às escolhas do passado. Mais do que iniciativas profissionais, ambos traduzem a maneira como Rafael compreende a própria profissão.

Foi pensando em casos como o da senhora que evitava sair de casa que ele resume o que pretende deixar como legado: “Tudo pode ser diferente. Sempre existe a oportunidade de recomeçar.”

Depois de atender mais de dois mil casos e formar dezenas de profissionais, ele afirma que seu maior objetivo nunca foi acumular títulos, mas contribuir para que a remoção a laser seja exercida com conhecimento, responsabilidade e respeito às pessoas. Ao olhar para o futuro, espera que as próximas gerações encontrem tecnologias cada vez mais avançadas, sem perder de vista aquilo que considera essencial: o compromisso com o estudo, a ética e o atendimento humanizado.

Fechamento

Ao longo de mais de uma década dedicada à remoção a laser, Rafael Pereira acompanhou a transformação de mais de dois mil casos e ajudou a formar profissionais que hoje atuam em diferentes regiões do Brasil.

Mais do que acompanhar a evolução de um mercado que ajudou a consolidar, segue movido pela mesma convicção que o levou a estudar quando quase não havia referências no país: conhecimento, ética e responsabilidade continuam sendo os pilares de uma profissão que, para ele, vai muito além da técnica.

Por trás de cada procedimento existe uma história, uma escolha e uma nova possibilidade. É essa compreensão que Rafael pretende transmitir às próximas gerações de profissionais e o legado que deseja deixar para uma área que ajudou a fortalecer no Brasil.

@rafael_pereiralaser