Fundadora da AFA Instituto de Estética Avançada e Emagrecimento, em Cuiabá, Alyce Assunção construiu uma trajetória que reúne maternidade, formação, empreendedorismo e desenvolvimento profissional. Depois de enfrentar dificuldades na adolescência, concluir uma graduação iniciada em segredo, perder o pai e criar uma clínica em ritmo acelerado, transformou a própria experiência em uma visão de trabalho baseada em cuidado, aprendizado e propósito.

De onde veio a coragem para continuar
Durante muito tempo, Alyce Assunção teve dificuldade para terminar aquilo que começava. Hoje, quando olha para a própria trajetória, reconhece que precisou transformar essa insegurança para construir a profissional que se tornou.
Nascida e criada em Poconé, no interior de Mato Grosso, Alyce cresceu sob a influência do pai, paranaense de Colombo que chegou ao estado atraído pelas oportunidades do garimpo e construiu os próprios negócios. Mais do que o empreendedorismo, foi a generosidade dele que ficou na memória da filha. Conhecido por ajudar sem esperar algo em troca, tornou-se uma referência de cuidado que Alyce levaria para outras áreas da vida.
Na adolescência, porém, esse ambiente convivia com uma dificuldade mais íntima. Alyce enfrentou uma depressão e chegou a ouvir de uma psicóloga que poderia não conseguir concluir o ensino médio. A mãe chegou a assinar um termo de desistência escolar, e a experiência contribuiu para que ela passasse a duvidar da própria capacidade de levar projetos até o fim.
Aos 17 anos, o relacionamento com o homem que se tornaria seu marido trouxe um contraponto. Incentivada por ele, Alyce voltou aos estudos e concluiu o ensino médio pelo supletivo. Foi a primeira vez que conseguiu contrariar a ideia de que sempre abandonaria aquilo que começasse.
“Confiei no meu propósito e na minha capacidade de recomeçar. ”

Uma faculdade construída em silêncio
Depois do casamento, vieram mudanças, dificuldades financeiras e a chegada do primeiro filho. A maternidade passou a ocupar o centro da rotina, mas Alyce continuou querendo estudar. Foi nesse período que decidiu cursar Biomedicina e contou a escolha apenas ao marido. O segredo tinha uma razão: anos antes, havia iniciado Gastronomia e desistido dois meses depois. Não queria criar novamente expectativas na família antes de ter certeza de que chegaria ao fim.
A graduação avançou enquanto a família crescia. Vieram mais duas gestações, períodos de amamentação, a pandemia e interrupções no caminho. Mesmo assim, Alyce retomou o curso até concluir a formação no fim de 2024. A conquista ganhou um significado especial porque contrariava justamente a imagem que ela havia construído sobre si mesma.
Um ano antes, em 2023, ainda durante a faculdade, Alyce perdeu o pai. Ao acompanhar as pessoas que continuavam lembrando de sua generosidade e do impacto que havia causado em suas vidas, começou a pensar no próprio legado. Poderia permanecer como herdeira de uma história ou usar aquela referência para construir uma trajetória com o próprio nome.
“Ou eu ficava sendo a filha do meu pai, como herdeira, ou eu usava o legado dele como inspiração para criar meu próprio legado.”

A vontade de transformar conhecimento em negócio
A decisão de construir o próprio caminho ganhou forma quando Alyce concluiu a faculdade de Biomedicina e começou a investir em tecnologias de estética. A ideia inicial era alugar os equipamentos para outros profissionais, mas a sogra percebeu ali uma oportunidade maior e a incentivou a abrir a própria clínica em Cuiabá.
A mudança aconteceu em ritmo acelerado. Em cerca de 40 dias, o projeto saiu do papel e deu origem a AFA Instituto de Estética Avançada e Emagrecimento. O que começou com cinco tecnologias chegou rapidamente a quinze, acompanhado pela ampliação da estrutura e da equipe, que logo chegou a onze profissionais. A clínica também passou a integrar diferentes especialidades e uma médica parceira na área de emagrecimento.
O crescimento obrigou Alyce a assumir uma posição que ainda era nova para ela: não apenas atender, mas definir posicionamento, formar equipe, buscar capacitação e decidir o que faria sentido oferecer.
“Eu quero elevar a estética em Cuiabá, tanto na parte técnica quanto na parte humana.”

Uma clínica construída pela experiência
Com o negócio crescendo, Alyce percebeu que não queria construir apenas uma clínica com equipamentos e procedimentos. Queria reproduzir a experiência que gostaria de encontrar como paciente. A partir daí, passou a selecionar tecnologias, tratamentos e profissionais com base naquilo em que realmente acreditava.
O Instituto AFA reúne procedimentos faciais e corporais, além de recursos ligados à estética médica e ao emagrecimento. A estrutura também foi pensada para receber pacientes que vêm de outras cidades e passam horas na clínica, com um atendimento mais próximo e uma experiência que começa antes do procedimento.
Alyce mantém uma rotina constante de formação para sustentar essas escolhas. São mais de 30 cursos realizados, além de capacitações frequentes em áreas como estética facial e corporal. Para ela, aprender continuamente é parte da responsabilidade de oferecer um serviço no qual possa confiar.
“Eu não vendo um procedimento que eu não acredito, um resultado que eu não vou entregar.”

A memória do pai dentro da empresa
Essa preocupação com cuidado e verdade também ajuda a explicar por que a AFA carrega tantos elementos da história familiar. Depois da morte do pai, Alyce passou a enxergar seu exemplo não apenas como uma lembrança, mas como uma referência para a cultura que queria construir.
A essência aparece nos detalhes. A identidade visual da clínica incorpora dourado, tons terrosos e elementos que remetem à natureza e à trajetória da família ligada à mineração. Mais importante, porém, é a forma de se relacionar com quem chega ao espaço. Alyce diz que quer que o paciente seja acolhido mesmo quando decide não realizar um procedimento.
Essa visão também se estende à equipe, que ela considera parte fundamental da construção do negócio. Para Alyce, uma empresa só consegue transmitir cuidado ao público quando esse cuidado começa dentro dela.
“Minha equipe é minha segunda família. Ela abraça a causa e veste a camisa.”

Uma empresária que quer elevar o padrão
Hoje, Alyce ocupa um lugar diferente daquele que imaginava quando começou Biomedicina em silêncio. À frente da AFA, transformou a experiência pessoal de recomeçar em uma forma de conduzir o negócio: atendimento próximo, atualização constante e uma equipe preparada para entregar mais do que um procedimento.
O instituto reúne estética e saúde em um ambiente pensado para que o paciente se sinta acolhido, com técnicas atualizadas, equipamentos próprios e materiais de qualidade. Para Alyce, porém, a estrutura é apenas parte da proposta. Um dos principais objetivos é desenvolver os profissionais que trabalham ao seu lado e criar um padrão de excelência técnica e humana que possa se tornar referência em Cuiabá.
Essa preocupação também explica sua rotina de formação. Mesmo depois de concluir a graduação, ela continua viajando para cursos e capacitações, acompanhando novas técnicas e buscando ampliar o conhecimento da equipe. A empresária que um dia teve medo de não conseguir terminar uma faculdade agora trabalha para criar um ambiente em que outras pessoas possam crescer profissionalmente junto com ela.
“Se eu puder ajudar, mesmo que o paciente não feche um procedimento, que ele saia dali diferente.”

Entre a clínica e a maternidade, uma nova versão de Alyce
O crescimento profissional também mudou a maneira como Alyce organiza a própria vida. Antes de ser empresária, ela era reconhecida principalmente pela maternidade. Mãe de três filhos, construiu durante anos uma presença pública ligada à amamentação e à rotina familiar. Com a abertura da AFA, precisou dividir esse espaço com uma identidade profissional que ainda estava sendo construída.
A adaptação não aconteceu sem conflitos. Vieram viagens, cursos, decisões de gestão e uma rotina mais intensa, enquanto os filhos continuavam ocupando um lugar central. A rede de apoio da família tornou-se parte dessa nova fase. A sogra assumiu a direção administrativa do instituto e a mãe permaneceu próxima, enquanto Alyce passou a conciliar a gestão do negócio com a formação contínua e a vida em casa.
Hoje, ela já não tenta separar completamente essas duas mulheres. A mãe e a empresária fazem parte da mesma trajetória. E é justamente essa experiência que pretende transmitir aos filhos: não a ideia de uma vida sem dificuldades, mas a de que é possível mudar de caminho sem abandonar quem se é.
“Mesmo depois de ter filhos, eu fui atrás do meu sonho.”

Um legado que começa pelo exemplo
Alyce não pretende deixar apenas uma clínica para os três filhos. A AFA representa a construção de um nome próprio, sustentado pelos valores que recebeu do pai. Hoje, seu projeto combina crescimento empresarial, formação profissional e uma experiência de atendimento que aproxima ciência, estética e cuidado. Além disso, ela deseja desenvolver pessoas, elevar o padrão do setor e mostrar que excelência técnica também pode ser humana.
A menina que durante anos acreditou que não conseguiria terminar o que começava encontrou uma nova forma de olhar para a própria história. Os caminhos interrompidos não desapareceram. Tornaram-se parte da mulher que ela escolheu ser e daquilo que agora constrói para os filhos, para a sua equipe e para quem passa pela AFA.
Seu legado, afinal, não está apenas no que construiu, mas na coragem de mostrar que sempre é possível recomeçar.
