Autista e com perfil de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), Diego Trevisan construiu, ao longo de mais de 20 anos, uma trajetória como mentor e conselheiro de famílias, empresários, executivos e profissionais de diferentes áreas. Aos 44 anos, ele revela uma dimensão de sua vida que poucos conheciam: uma história marcada por singularidade, consciência, pertencimento e inclusão.

Nesta edição, Diego torna público seu diagnóstico, recebido na vida adulta, e fala sobre os desafios que atravessou, o valor de cada momento vivido e a importância de demonstrar o amor enquanto ainda há tempo.

A revelação

Pela primeira vez, Diego Trevisan torna público seu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seu perfil de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). As descobertas lhe ofereceram uma nova compreensão sobre uma trajetória marcada por problemas de saúde, dificuldades escolares, exclusões e buscas, mas também pelo amor de uma avó, pela curiosidade e por perguntas que o acompanharam durante grande parte da vida: quem sou, de onde vim, o que estou fazendo aqui e para onde vou?

Diego não pretende falar em nome de todas as pessoas autistas, nem transformar sua experiência em modelo ou fórmula de superação. Cada pessoa possui sua história e sua maneira singular de existir.

Sua escolha é contribuir para que as diferenças humanas sejam compreendidas com mais respeito e para que ninguém seja reduzido às dificuldades que enfrenta. Porque uma história não precisa ser uma sentença sobre aquilo que alguém poderá se tornar.

O colo que o ensinou a pertencer

Diego nasceu em Tangará, Santa Catarina. Logo nos primeiros dias de vida, seus pais, diante dos desafios que atravessavam, precisaram deixá-lo aos cuidados da avó paterna, Gema Tonial Trevisan. Foi ela quem o criou em Xanxerê, ao lado das tias. O ambiente apresentava tensões e conflitos, mas o colo da avó era seu porto seguro. Gema era uma mulher simples, forte e sábia, de fé profunda e silenciosa.

Durante a infância, Diego enfrentou muitos problemas de saúde. Enquanto os médicos cuidavam de seu corpo, a avó recorria também às orações, aos benzimentos e aos saberes ancestrais. Foram anos de internações, cuidados e noites em claro. Hoje, na memória daquele menino, ciência, consciência e sabedoria ancestral tornaram-se diferentes formas de cuidado.

Anos mais tarde, a avó Gema partiu em seus braços. Naquele instante, Diego compreendeu, à sua maneira, que vida e morte caminham juntas e que estamos apenas de passagem pela Terra.

A criança que não se encaixava e era excluída

Diego reprovou em séries e disciplinas, foi suspenso e passou por diferentes colégios. Ouviu que não conseguiria acompanhar os outros. Era quieto, educado e respeitoso. Simplesmente não aprendia da maneira como a escola ensinava. Levaria décadas para compreender que autismo e altas habilidades coexistiam e que as dificuldades não anulavam sua capacidade de aprofundamento, percepção e aprendizagem.

Quando um assunto despertava seu interesse, mergulhava por completo e avançava além do esperado. Desde criança, buscava compreender Deus, a consciência, a ufologia e a possibilidade de outras inteligências no universo. Hoje, olha para a escola com respeito pela própria história e pelos professores que fizeram o melhor que podiam em uma época na qual pouco se compreendia sobre diferentes maneiras de aprender e perceber o mundo.

As reprovações deixaram marcas, mas não determinaram seu destino. Foi na escola que Diego aprendeu que superar não significa vencer os outros, mas compreender e ultrapassar os próprios limites.

A jornada que atravessou fronteiras

A criança que teve dificuldade para encontrar seu lugar cresceu e atravessou fronteiras. Ao longo de mais de 20 anos, Diego dedicou-se ao desenvolvimento humano, ao fortalecimento das famílias e ao aconselhamento de lideranças, executivos e empresários. Tornou-se mentor, conselheiro, constelador familiar, palestrante e escritor. Formou-se em Constelação Familiar pela Hellinger Science, no Brasil e na Alemanha, com Bert Hellinger, Sophie Hellinger e docentes. Especializou-se em Neurociência e Comportamento pela PUC/RS e em Psicologia pela UNOCHAPECÓ.

Sua busca o levou a diferentes países e lugares considerados sagrados, das pirâmides da Bósnia ao Monte Shasta, dos templos da Índia às montanhas dos Andes, passando por Stonehenge e Glastonbury. Ao longo dessa trajetória, esteve na Índia, Bósnia e Herzegovina, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Eslovênia, Suíça, Escócia, Holanda, Croácia, Inglaterra, Irlanda, Áustria, França, Turquia, Peru, Chile, Uruguai e Argentina. Mais do que destinos e títulos, essa caminhada representa anos de estudo, escuta e compromisso com pessoas que lhe confiaram suas histórias, famílias, negócios e decisões.

Diego passou a buscar aproximações entre ciência e consciência, comportamento humano, metaconsciência e sabedoria ancestral. Em sua visão particular, essa investigação também alcança outras realidades e aquilo que compreende como sua família estelar espalhada pelo cosmos. Não apresenta essa visão como verdade a ser imposta, mas como parte de sua experiência e de sua busca pelos mistérios da vida. Aquilo que, durante anos, dificultou seu pertencimento transformou-se em sensibilidade para compreender diferenças, acolher singularidades e construir pontes.

O diagnóstico e o silêncio

Depois de anos de preparação interna e de processos com médicos, psicólogos, psiquiatras e terapeutas, Diego recebeu respostas que reorganizaram a maneira como compreendia a própria vida. O diagnóstico não apagou o passado nem mudou quem ele sempre foi. Ofereceu uma nova linguagem para compreender seu cérebro, suas emoções e sua forma particular de experimentar o mundo.

Também revelou que dificuldades e capacidades não eram opostas, mas partes de uma mesma configuração singular. O autismo e as altas habilidades não reduziram sua identidade, mas ampliaram sua consciência sobre ela.

Há dimensões dessa experiência que Diego ainda não consegue transformar em palavras. Por isso, escolhe preservá-las em silêncio, não como quem foge, mas como quem reconhece que certos processos precisam de tempo e acolhimento.

“Apenas gostaria de permanecer em silêncio.”

O livro que veio do futuro

Em 2025, durante o período mais desafiador de sua vida adulta, Diego lançou Códigos do Espírito: um guia secreto para ascensão. Nas palavras do autor, o livro é uma transmissão do futuro, um portal que transcende tempo e espaço e convida o leitor a se reconectar com sua natureza primordial.

A escrita tornou-se uma maneira de atravessar um tempo difícil e dar linguagem ao que procurava compreender. A obra não aponta para um destino físico, mas para uma experiência interior.

“O livro é um portal para o campo das infinitas possibilidades.”

Mega Brain: inteligência artificial, humanidade e futuro

Ao longo de sua trajetória, Diego acompanhou centenas de clientes, famílias, empresários, executivos e empresas, alcançando milhares de pessoas por meio de mentorias, atendimentos, palestras, projetos e escritos. Entre os encontros que marcaram sua caminhada estão reuniões, projetos e conversas com Thiago Finch. Diego destaca sua inteligência e visão estratégica, mas, sobretudo, a maneira humana e respeitosa com que Thiago acolheu suas ideias e reconheceu a singularidade de seu pensamento.

O contato com Thiago Finch, sua equipe e o Mega Brain ampliou sua percepção sobre tecnologia, inteligência artificial e conhecimento, mas, acima de tudo, sobre humanidade. Reforçou uma convicção: o futuro não se constrói apenas com inovação, mas com consciência, sensibilidade, visão e propósito de servir.

“NÓS VIEMOS DO FUTURO.”

Uma mensagem para o mundo

“Todos somos um” significa compreender que, apesar das diferenças, compartilhamos a mesma essência humana e fazemos parte de uma realidade interligada com o todo. Ser autista ou neurotípico não torna ninguém mais ou menos humano. Ter ou não altas habilidades não determina o valor de uma vida.

Cada pessoa é singular em sua forma de existir, sentir e perceber o mundo, mas todas merecem dignidade, respeito, amor e pertencimento. Essa compreensão não apaga nossas diferenças nem pretende tornar todos iguais. Ao contrário, reconhece cada singularidade e afirma que nenhuma delas nos torna menos dignos de inclusão. Somos diferentes em nossa maneira de existir, mas unidos pela mesma essência. Todos somos um.

No fim, por maiores que sejam as conquistas, os títulos, as viagens ou as descobertas, permanece uma compreensão essencial:

“A vida é uma experiência. Estamos apenas de passagem pela Terra. Enquanto há tempo, que o amor encontre caminhos para ser vivido.”

AME UM AUTISTA. AME TODOS OS SERES.

@diegotrevisan.shasta