Tricologista clínica não médica, terapeuta capilar, mentora e criadora do Método Tricologia Integrativa, Leidiane Freitas soma 21 anos na área da beleza e nove dedicados à terapia capilar e à tricologia. Entre a infância ao lado do pai pedreiro, a reconstrução da vida após uma separação, a consolidação como cabeleireira e a descoberta da tricologia a partir da própria queda de cabelo, sua trajetória transformou recomeços em profissão, cuidado e formação de outros profissionais.

O DNA de Quem Aprendeu Cedo a Trabalhar
Antes de se tornar referência em terapia capilar, Leidiane Freitas aprendeu cedo que trabalho também era uma forma de construir caminhos. Aos nove anos, acompanhava o pai, Luiz, nas obras em que ele trabalhava como pedreiro e ajudava a cuidar dos filhos dos vizinhos. Foi nesse cotidiano, marcado por responsabilidade desde a infância, que começou a formar a determinação que mais tarde a levaria a transformar sucessivos recomeços em profissão.
A convivência com a mãe biológica, Regina, foi mais distante durante a infância. As duas voltaram a se aproximar de forma mais significativa quando Leidiane tinha pouco mais de 20 anos e enfrentava dificuldades no casamento. Cabeleireira, Regina lhe disse que a ajudaria a construir uma profissão que, para onde quer que fosse, jamais permitiria que passasse necessidade.
Leidiane começou então a trabalhar com a mãe como auxiliar e manicure. Foi ali que percebeu que aquela profissão poderia representar mais do que uma fonte de renda: poderia lhe dar autonomia para atravessar diferentes momentos da vida. Cinco anos depois, já mãe de Júlia e Giovanna, decidiu se separar e mudou-se para Araçariguama, onde o pai morava, buscando segurança e um recomeço.
“A minha criação foi mais rígida. Meu pai era bravo, exigente, mas foi sensacional. Aprendi com ele o valor do trabalho desde criança.”

Do Salão à Construção de uma Carreira
Foi Luiz quem a incentivou a fazer o curso de cabeleireira. Depois da formação, Leidiane trabalhou por um ano e dois meses no Cia da Beleza, até surgir a oportunidade de atuar no Shalon Spa Urbano. Ali começou a trabalhar efetivamente como cabeleireira e permaneceu por cinco anos, período em que cresceu e se desenvolveu profissionalmente.
Nessa fase, também refez a vida familiar. Casou-se com Enéas e passou a viver com os filhos dele, Nicolas e Vitória. As quatro crianças, de idades próximas, formaram uma nova configuração familiar enquanto Leidiane conciliava maternidade, casamento e crescimento profissional.
Foram cinco anos de aprendizado no Shalon, em uma etapa que ela considera fundamental para ganhar segurança, ampliar sua experiência e entender o tipo de profissional que queria se tornar. Ela reconhece a importância das proprietárias Cenira, Andréia e Maria Aparecida, que acreditaram em seu potencial e contribuíram para sua formação profissional.
“Eu era a primeira a chegar, era a última a sair. Foi um trabalho que eu me dediquei ao máximo porque eu gosto muito dessa parte da beleza”.

Uma Crise que Revelou um Propósito
Antes da pandemia, Leidiane havia se mudado para um espaço maior, de 130 metros quadrados, que também atendia noivas. Seis meses depois, o fechamento forçado dos salões a levou a atender escondida em casa. Sob o estresse da incerteza, começou a perder o próprio cabelo.
Foi ao investigar a causa da queda que descobriu a tricologia. A experiência aproximou sua prática de salão de uma abordagem técnica e científica sobre a saúde capilar e abriu um novo capítulo profissional. O que começou como uma tentativa de entender o próprio corpo se transformou em uma nova especialidade e, mais tarde, no método que passou a desenvolver e ensinar.
Hoje, cursa tricologia e ciências cosméticas, atua com terapia integrativa e mantém parcerias com médicos, biomédicos e farmacêuticos para solicitação de exames e indicação de suplementação a pacientes com alopecia e psoríase. A proposta é unir a experiência construída no salão a um olhar mais amplo sobre as causas e os impactos dos problemas capilares.
“Eu não cuido só da parte estética ou de uma patologia isolada. Eu cuido da pessoa de dentro para fora”.

O Acolhimento como Diferencial
A técnica não substituiu uma característica que Leidiane já carregava do salão: a escuta. Seus clientes compartilham separações, perdas e momentos de fragilidade, e o atendimento foi estruturado para acolher também essas conversas.
A fé ocupa um lugar importante nesse processo. O ambiente pode ter louvor ao fundo e espaço para quem quiser orar, enquanto a profissional busca olhar para a pessoa além do sintoma visível no cabelo.
“Procuro trazer sempre um ambiente mais cristão, com louvor tocando, para que as clientes se sintam acolhidas e à vontade.”

O Negócio que Virou Legado de Família
A família também passou a fazer parte da estrutura do negócio. O que antes era uma profissão construída para garantir autonomia acabou se tornando uma atividade capaz de envolver diferentes gerações e funções dentro da mesma casa.
Júlia, a filha mais velha, ajuda no administrativo; Giovanna atua como nail designer; Enéas e o genro, Vinícius, colaboram na manutenção. Os enteados, Nicolas e Vitória, seguiram outros caminhos, enquanto Bruna, irmã de Leidiane, atua como massoterapeuta.
Hoje, a neta Sara, filha de Júlia, com um ano e três meses, representa uma nova geração da família. Para Leidiane, as próprias filhas também foram decisivas nos períodos mais difíceis da separação e da reconstrução profissional.
“Se não fosse pelas minhas filhas, eu não teria focado. Não tive opção, precisei olhar para elas e mostrar que dava para avançar”.

Uma Trajetória que Também Forma Profissionais
Os nove anos dedicados à terapia capilar e à tricologia também abriram espaço para a formação de outros profissionais. Leidiane atua como mentora, já ministrou cursos pela prefeitura e também no Lady Freitas Terapia Capilar Integrativa, seu próprio salão.
A atuação se expandiu para Alphaville, além de Araçariguama, enquanto ela consolidava uma abordagem própria para o cuidado capilar. A carreira também a levou a viagens internacionais, entre elas Paris e Dubai, experiências que ganharam significado especial por ter sido a primeira pessoa da família, desde a geração da avó, a sair do país.
O movimento também ampliou sua visão sobre o próprio papel profissional: mais do que atender, ela passou a enxergar valor em compartilhar o conhecimento acumulado ao longo dos anos e ajudar outros profissionais a desenvolverem uma atuação mais especializada.
É nesse ponto que o Método Tricologia Integrativa ganha espaço na trajetória. A experiência prática, a formação técnica e a atenção à dimensão emocional dos pacientes se encontram em uma abordagem que hoje também faz parte de suas mentorias e cursos.
“Fui a primeira da minha família a sair do país. Deus me mostrou que ia me levar para destravar coisas que precisavam acontecer”.

Menos Cadeiras, Mais Formação
Para os próximos anos, Leidiane planeja reduzir o volume de atendimentos e concentrar o trabalho em uma clínica mais enxuta, com mais espaço para mentorias, palestras e formação de profissionais da área capilar. A ideia é trocar parte das horas dedicadas à agenda por tempo para ensinar, ampliar o método e preparar outros profissionais.
Também pretende retomar o trabalho voluntário na igreja, aproximando novamente duas dimensões que considera importantes em sua vida: o ensino e a fé.
Ao resumir em uma palavra aquilo que a manteve firme durante a trajetória, ela escolhe a fé.
“Foi a fé que me manteve firme e focada em todo esse processo”.

Um Legado que Nasce da Própria Fragilidade
Dos nove anos ajudando o pai nas obras aos 21 dedicados à área da beleza, Leidiane construiu uma carreira marcada por recomeços. A queda dos próprios fios a levou à tricologia e, depois, à criação de um método que hoje compartilha com pacientes e profissionais.
A história que começou com a busca por uma profissão para não depender das circunstâncias ganhou outra dimensão: cuidar da raiz passou a significar, para ela, olhar para a pessoa, formar novos profissionais e transformar a própria experiência em legado.

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