Empresário, professor, escritor e conselheiro de empresas, Sérgio Arandiga construiu uma atuação que atravessa comunicação, marketing, tecnologia, inteligência artificial e negócios internacionais, unindo experiência prática e formação acadêmica em iniciativas voltadas à produção de conhecimento e ao desenvolvimento humanitário. Uma trajetória construída pela inquietude de quem nunca deixou de aprender, empreender e enxergar oportunidades onde outros ainda não viam.

A inquietude que veio antes do negócio
Desde cedo, Sérgio Arandiga entendeu que queria construir o próprio caminho. Criado em uma família de classe média, filho de uma professora e de um engenheiro de segurança do trabalho. O exemplo dos pais, ambos dedicados ao trabalho, ajudou a formar a disposição que marcaria sua trajetória: aprender, criar e buscar novas possibilidades.
Aos 14 anos, pediu ajuda ao avô materno para começar seu primeiro negócio. O avô, ex-militar espanhol que havia se tornado empresário no Brasil e era proprietário de uma empresa filatélica no Rio de Janeiro, entregou ao neto uma grande quantidade de selos. Sérgio passou a organizá-los por temas e criou pequenas cartelas para comercialização.
A primeira tentativa de venda, de porta em porta, não funcionou. Ele então mudou a estratégia e levou os produtos às bancas de jornais, trabalhando em consignação. A ideia deu certo e, pouco tempo depois, mãe, tia, vizinhos e amigos já participavam da produção e distribuição. Aos 15 anos, havia alcançado seu primeiro milhão.
Mais do que o resultado financeiro, aquela experiência revelou uma característica que permaneceria ao longo das décadas: a inquietude de quem prefere testar uma possibilidade a aceitar que algo não funciona.
“Desde muito cedo eu era inquieto, com vontade de ter minhas próprias coisas”.

Quando empreender virou um caminho
Assim que ingressou na faculdade de Relações Públicas, Sérgio encontrou uma oportunidade que ampliaria seu repertório. Foi selecionado, entre mais de 80 candidatos, para um estágio na BASF, uma das maiores empresas químicas do mundo. A experiência aproximou o jovem empreendedor de uma estrutura corporativa e mostrou como comunicação, estratégia e gestão poderiam caminhar juntas.
Pouco mais de um ano depois, recebeu da própria multinacional o convite para terceirizar uma área de comunicação comunitária. Em vez de apenas assumir a função, criou uma rádio empresarial, solução inovadora para aquele momento. A iniciativa abriu espaço para novos clientes e deu origem à Grafia Comunicação.
Quase três décadas depois, a empresa se consolidou no mercado de comunicação corporativa do Vale do Paraíba, com mais de 150 empresas atendidas, entre elas grandes multinacionais. A experiência também abriu caminho para uma trajetória cada vez mais diversificada, que levaria Sérgio a atuar em diferentes setores e países.
“Hoje já são mais de 150 multinacionais atendidas. Somos a maior agência de comunicação e marketing do Vale do Paraíba”.

De empresário a estrategista de negócios
A Grafia foi apenas uma das etapas de uma trajetória empresarial que passou por diferentes segmentos. Ao longo dos anos, Sérgio empreendeu em áreas como construção civil, tecnologia, educação e inteligência artificial. A cada novo negócio, ampliava o repertório e acumulava experiências que mais tarde seriam incorporadas à sua atuação como conselheiro de empresas.
Hoje, uma de suas principais atividades é ajudar empresários a identificar problemas que nem sempre aparecem onde eles imaginam. Um negócio pode chegar até ele com dificuldades de vendas, por exemplo, quando a verdadeira origem está na equipe, na gestão ou em outro ponto da operação.
A partir desse diagnóstico, existem diferentes possibilidades. A empresa pode ser reestruturada e devolvida ao proprietário, Sérgio pode entrar como sócio, utilizando o conceito de smart money, que combina capital e conhecimento estratégico, ou pode participar da preparação do negócio para uma futura venda.
Essa capacidade de enxergar conexões também se relaciona à superdotação e às altas habilidades identificadas ainda quando era jovem. Hoje, Sérgio integra a Mensa, sociedade internacional voltada a pessoas com elevado desempenho em testes de inteligência. Para ele, porém, essa característica nunca foi uma distinção a ser exibida, mas uma forma particular de processar informações e encontrar soluções.
“Um cliente meu chega dizendo que o problema está nas vendas. Mas, muitas vezes, está nas pessoas. Eu consigo identificar com facilidade onde está o problema real de uma empresa”.

Conhecimento como ferramenta de transformação
A busca por conhecimento acompanha Sérgio desde o início da carreira e ganhou dimensão acadêmica ao longo dos anos. Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Atlanta, mestre em Direção de Marketing pela Universidad Complutense de Madrid e MBA pela Oxford Brookes University, na Inglaterra, ele construiu uma formação que atravessa negócios, marketing e inteligência artificial. Para Sérgio, estudar nunca foi apenas acumular títulos, mas encontrar ferramentas para compreender melhor os problemas que decide enfrentar.
Foi esse mesmo princípio que o levou a se tornar um dos pioneiros no Brasil a unir marketing e inteligência artificial de forma sistemática. É autor de artigos publicados em diversas revistas científicas como “Inteligência Artificial Aplicada ao Marketing” e “Inteligência Sintética Aplicada ao Marketing de Varejo”, além de livros nas áreas de empreendedorismo e negócios. O trabalho ganhou repercussão em agosto de 2026, quando o jornal Estadão apresentou Sérgio como um dos pioneiros a sistematizar cientificamente essa nova relação entre marketing e inteligência artificial.
A capacidade de transitar por diferentes campos do conhecimento também se relaciona a uma característica que marcou sua trajetória: a superdotação e as altas habilidades. Em avaliação psicométrica pelo WAIS-III, Sérgio obteve QI 151, resultado correspondente ao percentil 99,9 da população, e passou a integrar a Mensa, sociedade internacional voltada a pessoas com alto desempenho em testes de inteligência. Ao longo da trajetória, também conquistou medalhas em olimpíadas internacionais do conhecimento e recebeu, em 2026, o título de Doctor Honoris Causa pela Universidad Internacional UNT México Global University.
Para ele, porém, esses reconhecimentos não encerram a busca. Representam a responsabilidade de transformar capacidade em conhecimento aplicado, e conhecimento em soluções que possam gerar impacto. Essa visão ajuda a explicar também a forma como conduz seus negócios. Inteligência, em sua perspectiva, precisa caminhar ao lado de ética, lealdade e responsabilidade. São princípios que ele considera indispensáveis tanto para quem empreende quanto para quem se relaciona com outras pessoas.
“Ética, lealdade, ser uma pessoa correta e honesta deveriam ser inerentes ao ser humano. Hoje, infelizmente, isso virou um diferencial”.

A família como ponto de equilíbrio
Se o trabalho ocupa boa parte da rotina, é a família que mantém Sérgio conectado ao que considera essencial. Casado há quase três décadas, encontrou na esposa a parceira que acompanha as mudanças de rumo da carreira e apoia decisões que, muitas vezes, exigem recomeços em outros países.
Essa disposição para atravessar fronteiras faz parte da história da família. Ao longo dos anos, moraram em cidades como Londres, Madri e Alicante e agora se preparam para uma nova etapa internacional, acompanhando os projetos da filha, Clara, que, aos 16 anos, já concluiu um MBA e desenvolve uma empresa de inteligência artificial com atuação no Brasil e exterior.
Para Sérgio, esse apoio familiar sempre foi indispensável para sustentar uma rotina intensa de trabalho e a liberdade para seguir criando novos projetos.
“Minha esposa acredita nas minhas ideias e me apoia nelas”.

Impacto que vai além dos negócios
A atuação de Sérgio não se limita aos negócios. Ao longo da carreira, ele também passou a dedicar tempo ao desenvolvimento humano, ao voluntariado e à filantropia. Ele acredita que conhecimento só ganha sentido quando pode ser compartilhado e transformado em oportunidades para outras pessoas.
Essa visão o levou à liderança de instituições como o Rotary Club de Taubaté-União, do qual foi presidente, e à atuação no Lions Clubs International, onde também participa como palestrante em eventos institucionais. Nesse percurso, recebeu duas distinções: a Comenda Paulo Viriato Corrêa da Costa e o título de Companheiro Paul Harris, reconhecimentos ligados à prestação de serviços e à promoção da compreensão e das relações amistosas entre os povos.
Outra marca dessa trajetória é sua nomeação como Diplomata Civil Humanitário pela Jethro International, organização voltada à cooperação entre países e à promoção de princípios humanitários. Para Sérgio, a diplomacia também representa uma forma de ampliar o alcance do trabalho que já desenvolve em outras frentes.
Esse propósito ganhou uma estrutura própria com a criação da Arandiga Foundation, que reúne projetos de capacitação, geração de renda e desenvolvimento de pessoas. A proposta é usar educação e empreendedorismo para ampliar a autonomia de quem busca construir uma nova realidade.
Por isso, Sérgio prefere olhar para o impacto antes dos números. As métricas podem mostrar o alcance de uma iniciativa, mas são as histórias transformadas que, para ele, revelam o que realmente ficou.
“A gente faz filantropia pela causa, não pelos números, mesmo eles sendo bem expressivos”.

A inquietude que continua movendo o futuro
Mesmo depois de décadas empreendendo, Sérgio diz que continua motivado pela mesma inquietude que marcou seus primeiros passos como empreendedor. Para ele, todo mercado evolui, novas oportunidades surgem e o empreendedor precisa manter a disposição para aprender, adaptar e começar de novo sempre que necessário.
Essa visão também orienta a forma como deseja ser lembrado. Mais do que pelas empresas que criou ou pelos cargos que ocupou, espera inspirar outras pessoas a acreditar que grandes projetos começam com uma boa ideia, disciplina para executá-la e coragem para persistir quando os primeiros resultados ainda não aparecem.
“Só não alcança quem desiste. Para mim, não é que não consegui, é que ainda não chegou o tempo”.

Um legado que transforma oportunidades em impacto
Desde cedo, Sérgio Arandiga soube que queria construir algo próprio. Ao longo dos anos, essa inquietude ganhou novas formas: tornou-se empresa, conhecimento, pesquisa, atuação internacional e projetos voltados ao trabalho humanitário e para o desenvolvimento de pessoas. A cada etapa, ele ampliou o campo de atuação sem abandonar a característica que acompanha a sua trajetória desde o início: disposição para aprender, enxergar possibilidades e transformar ideias em movimento.
Hoje, o legado que constrói vai além dos resultados empresariais. Está na capacidade de compartilhar conhecimento, formar lideranças e incentivar outros empreendedores a crescerem com estratégia, ética e propósito.
No fim, talvez sua maior realização não seja o número de empresas que ajudou a construir, mas a quantidade de pessoas que aprendeu a enxergar novas possibilidades depois de cruzar seu caminho.
