Jornalista carioca, fundador da Agência Multiplix e responsável pelo Programa Comunicação de Impacto, Thiago Reis passou por comunicação, marketing, vendas, atendimento, teatro e experiências internacionais antes de transformar essa bagagem em método. Hoje, ajuda profissionais liberais e empresários a converter comunicação em autoridade e resultado de negócio, unindo neurociência, processo comercial e uma visão de ética que considera inegociável.

Quando a comunicação ainda nem era profissão
Algumas carreiras começam antes da escolha do primeiro diploma. No caso de Thiago Reis, a comunicação apareceu cedo, na facilidade para se relacionar, na exposição diante das pessoas e no interesse por diferentes formas de expressão. Carioca, filho de comerciantes e criado em uma família empreendedora, ele cresceu acompanhando de perto a rotina dos negócios dos pais, mas encontrou na comunicação um caminho próprio.
Ainda na infância, queria trabalhar na televisão. Da infância para a adolescência, foi estudar no Teatro O Tablado, referência do teatro carioca, onde teve contato com expressão corporal, linguagem e entonação. A experiência não definiu sua profissão naquele momento, mas ajudou a desenvolver habilidades que mais tarde voltariam a aparecer em diferentes etapas de sua carreira.
A escolha da faculdade, porém, seguiu outra lógica. Diante da preocupação com retorno financeiro, Thiago começou por engenharia de produção, em um momento de forte expansão do mercado de petróleo. Depois, experimentou administração no IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Nenhuma das duas opções, entretanto, parecia combinar com aquilo que já o acompanhava desde cedo.
“Eu sempre tive empatia, simpatia e carisma com as pessoas, isso já fazia parte de mim”.

Do caminho mais seguro ao caminho que fazia sentido
Enquanto ainda procurava uma direção profissional, Thiago acumulou experiências que ampliaram seu repertório. Fez o curso de comissário de voo, obteve certificação pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e chegou a fazer o curso de piloto privado de avião, embora nunca tenha trabalhado na área.
A mudança veio em 2012, quando decidiu finalmente entrar na faculdade de comunicação. Desta vez, a escolha parecia diferente. Desde o segundo período, já estava no mercado de trabalho, começando por eventos institucionais na Agência Nacional de Saúde Suplementar. Depois, atuou por quase dois anos no marketing digital da Animale, uma das marcas de luxo feminina do atual Grupo Azzas.
A trajetória seguiu na gerência de Comunicação e Relacionamento Interno da Petrobras, por uma experiência profissional na Irlanda como consultor de vendas de intercâmbios e, depois, pelo atendimento ao público e liderança de bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo. Eram funções diferentes, mas que mantinham um mesmo elemento em comum: a relação com pessoas.
“Entrar na faculdade de comunicação fez com que eu percebesse que tinha encontrado uma coisa que eu não sabia, mas que já queria desde o início”.

Quando o repertório encontrou o mercado
A experiência profissional ganhou outra dimensão quando Thiago decidiu empreender com a família. Juntos, abriram uma indústria de alimentos e, em cerca de seis meses, conseguiram colocar o produto em uma das maiores redes de supermercados do Rio de Janeiro, o Guanabara. A entrada, segundo ele, foi resultado da combinação entre relacionamento, networking, construção de marca, posicionamento e apresentação do produto.
A indústria acabou sendo vendida por questões familiares. Thiago então seguiu para os Estados Unidos, onde foi aprovado para trabalhar com varejo de luxo em um navio de cruzeiro. Durante seis meses, passou por 22 países e trabalhou com pessoas de 53 nacionalidades diferentes.
O ambiente multicultural transformou a experiência em uma espécie de laboratório de vendas. Para Thiago, lidar diariamente com públicos diferentes reforçou uma percepção que hoje está no centro de seu trabalho: por trás das diferenças culturais, existem padrões de comportamento humano que podem ser explicados pela neurociência e aplicados à comunicação e às vendas.
“Independentemente da cultura ou da língua da pessoa, existe a neurociência, o ser humano, a raça humana.”

A virada veio quando ele parou de esperar
Quando voltou ao Brasil, Thiago já tinha um novo contrato assinado para trabalhar em um navio na Austrália. Decidiu não embarcar. Queria construir uma vida em terra. O passo seguinte parecia simples: encontrar um emprego que estivesse à altura da experiência acumulada.
O mercado, porém, apresentou outra realidade. As propostas ficavam entre R$2,5 mil e R$3 mil por mês. Para Thiago, o problema não estava no valor do salário em si, mas na distância entre aquilo que o mercado oferecia e a bagagem que havia construído ao longo dos anos.
Foi nesse ponto que a trajetória profissional mudou de direção. Em vez de esperar uma oportunidade que reconhecesse seu repertório, ele decidiu criar a própria. Nasceu a Agência Multiplix, construída inicialmente a partir da capacidade de transformar a própria experiência em uma narrativa comercial.
Thiago passou a aplicar na própria carreira aquilo que havia aprendido sobre posicionamento, apresentação, persuasão e construção de marcas. A estratégia levou a clientes no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa e a agência saiu do zero para um faturamento de múltiplos seis dígitos no segundo ano de existência.
“Comecei a captar clientes com a minha rede de contatos, principalmente pela forma que aprendi a envelopar a minha narrativa”.

Comunicar deixou de ser suficiente
A experiência de construir a própria autoridade também mudou a forma como Thiago passou a enxergar a comunicação. Para ele, uma narrativa bem construída só produz resultado quando chega à prática. Foi dessa visão que surgiu o método D.N.A., cujos pilares são: Desbloqueio, Narrativa e Ação.
O primeiro pilar trabalha crenças e bloqueios emocionais que impedem profissionais de se expor, falar em público ou comunicar o próprio valor. O segundo organiza a história e o posicionamento de cada pessoa. O terceiro leva essa comunicação para o negócio, conectando-a a atendimento, follow-up, CRM, estrutura comercial, conversão e processos de vendas.
A proposta é fazer com que a comunicação não fique restrita às redes sociais. Na visão de Thiago, o marketing pode atrair e posicionar, mas a venda depende também de quem atende, da abordagem, da comunicação e da estrutura comercial. É nessa conexão entre comunicação e operação que ele coloca a experiência acumulada como jornalista, especialista em marketing e empresário.
“Não adianta ter uma narrativa persuasiva se não tiver ação”.

Persuasão tem um limite: a ética
Se a comunicação precisa gerar resultado, para Thiago ela também precisa respeitar um limite. É por isso que a ética aparece como um dos princípios que orientam sua atuação. A diferença entre persuasão e manipulação, segundo ele, está justamente no benefício mútuo gerado pela venda.
A lógica também se aplica à mentoria. O programa não recebe automaticamente quem tem dinheiro para pagar. Atualmente, o candidato passa por uma análise de perfil e pode ser recusado caso Thiago entenda que não está no momento profissional ou pessoal adequado para aproveitar o processo.
A decisão desloca a mentoria de uma relação puramente comercial para uma proposta baseada em aderência e responsabilidade. O objetivo, segundo ele, é trabalhar com pessoas que tenham condições de colocar o aprendizado em prática e gerar a transformação buscada.
“A diferença entre persuasão e manipulação é a ética. É vender algo que beneficie as duas partes”.

O conhecimento também precisa continuar em movimento
A busca por formação acompanha essa trajetória. Depois da graduação em jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) e do MBA em marketing pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro, Thiago ampliou a formação com um MBA em tráfego pago pelo Subido PRO, de Pedro Sobral, com quem esteve durante quase dois anos. Mais recentemente, fez uma especialização em comunicação persuasiva pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).
Foi justamente a experiência com mentoria que se tornou uma das maiores viradas de sua carreira. Na época, Thiago ganhava cerca de R$3 mil por mês e decidiu investir R$26 mil em uma mentoria. A parcela chegava a R$1,8 mil, mais da metade de sua renda mensal. Segundo seu relato, o investimento ajudou a elevar seu faturamento de R$3 mil para R$27 mil em quatro meses.
O princípio permanece o mesmo: continuar estudando para acompanhar o mercado e levar novos aprendizados para quem está do outro lado da mentoria.
“A partir das mentorias que fiz, eu entendi que o investimento em capacitação nunca pode parar”.

Legado em movimento: comunicar para prosperar
A trajetória de Thiago Reis não é apenas a história de um profissional que encontrou na comunicação sua área de atuação. É a história de alguém que passou por caminhos diferentes até entender que aquele repertório, sozinho, não bastava. Era preciso reconhecer seu valor, organizar essa experiência e aprender a comunicá-la de forma estratégica.
Hoje, essa percepção orienta o trabalho que desenvolve com profissionais liberais e empresários. A agência funciona como parte dessa validação prática, enquanto a mentoria leva para outros negócios o método que nasceu da própria experiência. O ponto de partida foi uma sensação de invisibilidade e desvalorização diante do mercado. O destino, agora, é ensinar outras pessoas a não depender apenas do mercado para definir o valor de sua trajetória.
No futuro, Thiago quer ser lembrado justamente pela capacidade de mostrar que comunicação estratégica pode mudar relações, posicionamento e resultados. Para ele, prosperidade não está apenas em falar bem, mas em transformar comunicação em uma ferramenta capaz de gerar valor para quem comunica e para quem recebe essa mensagem.
