Marcos de Jesus Moura saiu de Itabuna, na Bahia, aos 12 anos, escondido na carroceria de um caminhão e sem qualquer garantia de futuro. Décadas depois, tornou-se uma das referências brasileiras na estruturação e negociação de grandes ativos, conduzindo operações que envolvem hospitais, redes empresariais, galpões logísticos, aeronaves e empreendimentos bilionários. Atuando de forma independente e apoiado em uma reputação construída ao longo da vida, consolidou seu nome como um dos profissionais mais respeitados do mercado de ativos estratégicos no país.

O menino que cresceu sem espaço para sonhar

Marcos de Jesus Moura nasceu em Itabuna, no sul da Bahia, em uma casa onde a escassez fazia parte da rotina. Filho de Ana Maria e um dos oito irmãos, cresceu em uma família sustentada quase exclusivamente pelo trabalho da mãe, funcionária de uma empresa de saneamento básico, enquanto o pai enfrentava o alcoolismo.

Carne era um privilégio raro e ganhar um par de chinelos novos no fim do ano era motivo de celebração. Marcos cresceu convivendo com a sensação de estar distante das oportunidades que via ao redor, mas foi justamente naquele ambiente que desenvolveu a força que marcaria sua trajetória.

A maior referência da infância veio de dentro de casa. Ana Maria criou oito filhos praticamente sozinha, enfrentando dificuldades financeiras para garantir que nunca faltasse comida na mesa.

“Minha mãe abriu mão da vida, dos sonhos e de tudo o que poderia fazer para cuidar da gente. Ela é a minha maior referência em tudo.”

A viagem que mudou tudo

Aos 12 anos, Marcos tomou uma decisão que mudaria sua história para sempre. Sem autorização dos pais, embarcou escondido em um caminhão rumo a São Paulo ao lado de um amigo.

A chegada foi dura. Descobriu que não poderia permanecer na transportadora onde pretendia trabalhar e recusou a passagem de volta para a Bahia. Sem ter para onde ir, foi acolhido temporariamente por uma família e, durante uma semana, dormiu em uma igreja enquanto procurava emprego.

Poucos dias depois, conseguiu trabalho em uma oficina mecânica e começou a construir a própria sobrevivência. Durante quase quatro anos, viveu sozinho em São Paulo, aprendendo a lidar com responsabilidades que normalmente não pertencem a uma criança.

“Sair de casa cedo foi a melhor coisa que fiz. Precisei aprender a me virar, trabalhar e construir o meu próprio caminho.”

A descoberta da consultoria

Aos 16 anos, Marcos voltou para a Bahia, mas logo recomeçou a vida no Paraná. Com apenas a quinta série concluída, trabalhou como repositor e promotor de supermercado enquanto conciliava a rotina com os estudos.

A virada aconteceu em Pato Branco, quando ingressou na Claro como consultor de vendas. Foi ali que percebeu que seu talento não estava apenas em vender, mas em entender problemas e desenvolver soluções para empresas, ajudando clientes a reduzir custos e reorganizar operações.

Mais do que fechar contratos, Marcos descobriu a atividade que guiaria toda a sua carreira: criar conexões, compreender necessidades e construir confiança.

“Eu percebi que não precisava apenas vender um plano. Precisava entender a empresa, descobrir onde estava o problema e entregar uma solução.”

O acaso que virou profissão

A entrada no mercado imobiliário aconteceu quase por acaso. Na época, surgiu a oportunidade de adquirir a participação de um sócio em uma pequena imobiliária de Pato Branco. Marcos enxergou potencial no negócio, decidiu investir e deu início a uma trajetória que mudaria os rumos de sua vida profissional.

Inicialmente, sua participação estaria concentrada no investimento. Na prática, porém, Marcos passou a conduzir as negociações. Mesmo sem experiência no setor, aplicou ao mercado imobiliário a mesma lógica que já utilizava na consultoria empresarial. Em pouco tempo, percebeu que conseguia identificar oportunidades e concluir negócios que outros profissionais não haviam conseguido fechar.

Ao longo dos anos seguintes, vendeu centenas de imóveis e consolidou uma reputação sólida na cidade. Um dos episódios mais marcantes aconteceu quando intermediou uma negociação que dez imobiliárias já haviam tentado concluir sem sucesso.

“Eu nunca tinha vendido um imóvel. Entrei para ajudar outra pessoa e, no fim do primeiro ano, percebi que todas as vendas da imobiliária tinham sido feitas por mim.”

O baiano que conquistou Curitiba

Apesar do sucesso em Pato Branco, Marcos acreditava que precisava buscar desafios maiores. Passou a viajar constantemente para Curitiba, uma cidade onde não conhecia praticamente ninguém e cujo mercado considerava fechado.

Depois de meses construindo contatos e buscando oportunidades, recebeu a indicação para intermediar um negócio envolvendo executivos do Grupo Condor. O relacionamento construído naquele momento abriu caminho para uma série de operações que transformariam sua carreira.

Nos anos seguintes, participou da negociação de hospitais, centros logísticos, supermercados, redes empresariais e empreendimentos que movimentaram bilhões de reais.

“Curitiba era um mercado fechado e eu não conhecia ninguém. Então precisei criar as minhas próprias oportunidades até que as pessoas começassem a perguntar quem era aquele baiano.”

O homem por trás das grandes negociações

Hoje, Marcos atua como consultor independente especializado na estruturação e negociação de grandes ativos. Trabalha apoiado por uma ampla rede de parceiros espalhados pelo Brasil.

Seu portfólio inclui hospitais, empresas, galpões logísticos, aeronaves e redes varejistas. Cada operação pode levar meses para ser concluída e envolve equipes jurídicas, análises financeiras e negociações complexas.

Com um ticket médio superior a R$ 20 milhões por operação, tornou-se uma referência nacional em um mercado que exige conhecimento técnico, visão estratégica e habilidade para lidar com interesses conflitantes.

Por trás das cifras milionárias, porém, existe uma rotina marcada por negociações longas, operações frustradas e pressão constante.

“Uma grande negociação exige conhecimento, preparo e resiliência. Você precisa administrar a expectativa do comprador, a pressão do vendedor e os interesses de todos os envolvidos sem perder o controle da operação.”

O patrimônio que dinheiro nenhum compra

Apesar do patrimônio construído ao longo da carreira, Marcos acredita que o ativo mais valioso que possui não aparece em contratos nem em extratos bancários.

Ao longo dos anos, transformou clientes em parceiros e construiu relações que atravessam gerações. Muitos dos empresários com quem negocia hoje foram indicados por pessoas atendidas no passado.

Mesmo depois de alcançar reconhecimento nacional, continua investindo na própria formação. Graduou-se em Administração com ênfase em Comércio Exterior, especializou-se em Direito Imobiliário e conclui atualmente um mestrado em Finanças.

Fora das negociações e dos contratos milionários, Marcos encontra na esposa, Grasiele Pereira Moura, e nos filhos, Davi Luiz Moura e Anna Luiza Moura, o alicerce que sustenta sua trajetória. Em meio à rotina intensa e às constantes viagens, é ao lado da família que busca equilíbrio, força e motivação para continuar construindo seu legado. Para ele, as maiores conquistas não estão nos números ou nos negócios fechados, mas na possibilidade de compartilhar cada vitória com as pessoas que caminham ao seu lado.

Quando olha para trás, Marcos atribui boa parte do caminho percorrido aos ensinamentos da mãe e aos princípios aprendidos dentro de casa, valores que o acompanham desde a infância e orientam suas decisões até hoje.

“Eu nunca fiz apenas uma venda para o mesmo cliente. Atendo os filhos, as filhas e até os netos, porque eles sabem que prefiro perder uma comissão a colocá-los em um negócio ruim.”