O Brasil está se aproximando de uma mudança importante no mercado de televisão e streaming. Segundo projeções da Omdia reunidas no relatório O Panorama do Vídeo Digital na América Latina 2026, da MiQ, o país pode se tornar até 2029 o segundo maior mercado internacional de FAST, serviços de televisão por streaming gratuitos financiados por publicidade.
A projeção acompanha um mercado de vídeo digital cada vez mais fragmentado. Os brasileiros consomem, em média, quatro horas de vídeo por dia e administram 8,2 serviços de streaming por domicílio, sendo 4,6 pagos e 3,6 gratuitos. No mesmo horizonte, a receita brasileira de vídeo online deve alcançar US$ 14,4 bilhões.

O grande desafio agora é transformar essa fragmentação em uma visão única da jornada do consumidor | Guilherme Assunção, diretor-geral da MiQ no Brasil. (Forbes Brasil)
A televisão deixou de ser apenas televisão
A expansão da TV Conectada mudou a posição da televisão na jornada digital. Na América Latina, 60% da população digital já utiliza CTV, enquanto 95% dos usuários acessam conteúdos por Smart TVs. O aparelho, antes concentrado na programação linear, passou a funcionar como uma porta de entrada para streaming, vídeos sob demanda e canais gratuitos financiados por publicidade.
Esse movimento também altera a lógica da publicidade. 59% dos consumidores latino-americanos afirmam preferir modelos financiados por anúncios quando isso significa acesso gratuito ou preço menor. O comportamento favorece formatos como AVOD, no qual o usuário assiste a vídeos sob demanda com publicidade, e FAST, que oferece canais com programação linear transmitida pela internet.

Audiência fragmentada vira desafio para as marcas
A multiplicação de telas trouxe mais possibilidades para o público, mas também criou um problema para anunciantes: entender quem foi impactado por uma campanha, quantas vezes e em quais dispositivos. O relatório aponta que a principal barreira para a expansão da CTV não é a falta de audiência, mas a dificuldade de integrar métricas entre televisão, celular e computador. (Forbes Brasil)
No Brasil, os investimentos publicitários em CTV devem crescer 23,7% em 2026, impulsionados tanto pela expansão do consumo quanto pelo desenvolvimento de ferramentas capazes de conectar essas diferentes fontes de dados.
A mudança também acontece na descoberta dos conteúdos. Redes sociais e YouTube podem iniciar a jornada no celular, enquanto a Smart TV se torna o destino final para uma experiência de maior duração. Segundo o levantamento, recomendações sociais e conteúdos esportivos ao vivo já respondem por uma em cada três novas assinaturas de plataformas de streaming na América Latina.
Para Baptiste Tougeron, Head of Analytics para a América Latina na Omnicom Media, as marcas mais avançadas passaram a combinar dados próprios com plataformas de CTV para construir estratégias mais precisas. A mudança representa uma transição de campanhas baseadas apenas em perfis demográficos para abordagens orientadas por comportamento e intenção.
O cenário indica que o futuro da televisão não será definido apenas pela disputa entre emissoras e plataformas. A nova competição acontece pela atenção do consumidor, que circula entre telas, serviços gratuitos e pagos e diferentes formas de descobrir conteúdo.
Nesse ambiente, a TV Conectada ganha uma função estratégica: transformar a sala de estar em mais um ponto de encontro entre entretenimento, dados e publicidade.