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Terapias celulares abrem nova fronteira para doenças autoimunes
Saúde
05.09.2026

Terapias celulares abrem nova fronteira para doenças autoimunes

Pesquisa brasileira prepara testes com células CAR-T para lúpus e miastenia gravis, ampliando uma tecnologia que já transformou o tratamento de alguns cânceres.

Uma tecnologia criada para combater tumores começa a ser investigada contra doenças autoimunes graves. USP, Instituto Butantan, Hemocentro de Ribeirão Preto e Fapesp firmaram, em junho de 2026, um acordo para desenvolver terapias CAR-T contra lúpus eritematoso sistêmico e miastenia gravis generalizada. Os futuros estudos ainda precisam cumprir etapas regulatórias e ser submetidos à aprovação da Anvisa.

A CAR-T funciona retirando linfócitos T do próprio paciente, modificando geneticamente essas células para reconhecer um alvo específico e devolvendo-as ao organismo. A técnica já é utilizada contra determinados cânceres do sangue e agora passa a ser estudada para doenças nas quais o sistema imunológico ataca o próprio corpo.

A terapia celular é um tratamento que tem revolucionado o combate ao câncer e às condições crônicas e autoimunes, pois age diretamente nas células afetadas por essas doenças. | Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, durante o anúncio da parceria para pesquisa de CAR-T em doenças autoimunes.

O projeto prevê inicialmente estudos com 16 adultos com lúpus e 10 adultos com miastenia gravis generalizada, todos com doença grave e histórico de resposta inadequada a pelo menos dois tratamentos convencionais. Os ensaios deverão ocorrer nos hospitais das clínicas de Ribeirão Preto e da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

No Brasil, USP, Butantan e Hemocentro de Ribeirão Preto já desenvolvem CAR-T contra leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B. Um ensaio clínico de fase 1 começou em 2024, com resultados considerados promissores pelas instituições.

A expansão para doenças autoimunes, porém, ainda está no campo da pesquisa. Não se trata de um tratamento disponível para esses pacientes nem de uma terapia cuja eficácia já esteja comprovada para lúpus ou miastenia.

O avanço representa, justamente, uma mudança de fronteira: em vez de apenas controlar a resposta imune com medicamentos, pesquisadores investigam se é possível reprogramar as próprias células do paciente para interromper mecanismos responsáveis pela doença.

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