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Comprar tudo sozinho está ficando menos interessante
Life
07.09.2026

Comprar tudo sozinho está ficando menos interessante

Multipropriedade, clubes de assinatura e modelos de acesso compartilhado avançam entre consumidores que preferem usar a possuir.

A ideia de patrimônio continua forte, mas a relação com a propriedade está mudando em algumas categorias de consumo. Para uma parcela dos consumidores, especialmente em experiências de lazer e turismo, ter acesso garantido a determinado produto ou serviço pode ser mais interessante do que assumir sozinho todo o custo e a responsabilidade de mantê-lo.

A multipropriedade é um dos exemplos mais claros. O mercado brasileiro chegou a 224 empreendimentos em 99 cidades de 18 estados em 2026, segundo levantamento da Caio Calfat Real Estate Consulting. O VGV potencial ultrapassou R$ 100,5 bilhões, enquanto o VGV comercializado chegou a R$ 66,3 bilhões, alta de 24,4%.

Hoje, a multipropriedade é um negócio que continua sendo absorvido em vários mercados, crescendo de forma segmentada | Fernanda Nogueira, diretora de Projetos da Caio Calfat Real Estate Consulting.

Na prática, o consumidor compra o direito de utilizar uma propriedade em períodos determinados, compartilhando custos e estrutura com outros proprietários. A lógica se aproxima de movimentos já observados em outras áreas, como clubes de assinatura, coworkings, plataformas de mobilidade e serviços por acesso.

Não é necessariamente o fim da propriedade. O que muda é a pergunta feita antes da compra. Em vez de “quanto custa ter?”, passa a importar também “quanto custa ter acesso quando realmente preciso?”. Essa lógica pode ser especialmente relevante para produtos de utilização esporádica, cujo custo de manutenção é alto.

O mercado de multipropriedade também mostra que o modelo não está mais restrito a poucos destinos tradicionais. O estudo de 2026 aponta crescimento territorial e interiorização dos empreendimentos, enquanto o estoque médio caiu de 42,5% para 34%, indicando maior absorção da oferta.

A economia do acesso, portanto, não significa necessariamente abandonar o patrimônio. Ela mostra que propriedade e uso podem ser separados em determinadas situações. Para empresas, isso abre espaço para modelos recorrentes e compartilhados. Para consumidores, pode representar uma alternativa para transformar despesas elevadas e pouco utilizadas em acesso mais flexível.

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