Revista Prospere
O crédito corporativo está mudando de mãos
Economia
05.09.2026

O crédito corporativo está mudando de mãos

Bancos retomam espaço nas grandes captações enquanto empresas enfrentam um mercado de dívida mais seletivo e debêntures incentivadas perdem ritmo

O mercado brasileiro de crédito corporativo atravessa uma mudança de composição. As empresas continuam recorrendo ao mercado de capitais para financiar expansão e infraestrutura, mas o ambiente de juros elevados e maior seletividade dos investidores reduziu o ritmo de algumas emissões e aumentou a participação dos bancos nas operações.

Os números mostram um mercado dividido. No primeiro semestre de 2026, as captações no mercado de capitais somaram R$ 361,8 bilhões, recorde para o período e 9,8% acima do mesmo intervalo de 2025. Ao mesmo tempo, as emissões de debêntures recuaram 12,1%, para R$ 169,8 bilhões.

O aumento expressivo nas negociações no secundário é um sinal claro do avanço estrutural do mercado de capitais brasileiro. | Erika Lacreta, gerente executiva de Mercado de Capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).

Enquanto as novas emissões de debêntures desaceleraram, o mercado secundário ganhou liquidez. O volume negociado desses títulos alcançou R$ 494,6 bilhões no primeiro semestre, alta de 20,6% sobre um ano antes. Nas debêntures incentivadas, o valor negociado entre janeiro e maio chegou a R$ 179,4 bilhões, recorde para o período.

A aparente contradição revela um mercado mais seletivo, não necessariamente menor. Empresas que conseguem acessar investidores continuam captando, mas outras precisam recorrer a bancos, adiar operações ou buscar estruturas alternativas. A instabilidade econômica e as dificuldades de precificação também aumentam o custo para companhias que precisam emitir dívida.

O movimento é particularmente relevante para infraestrutura. Projetos de longo prazo dependem de financiamento previsível e, com condições mais apertadas, a combinação entre bancos, fundos e mercado de capitais passa a ganhar importância.

A transformação não significa o desaparecimento das debêntures. Significa que o financiamento corporativo brasileiro está ficando mais diversificado e mais dependente da capacidade de cada empresa de encontrar a estrutura de capital adequada ao momento.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe com quem precisa ver isso!

Outras Notícias Para Você

Inscreva-se em nossa newsletter e tenha acesso aos principais destaques da Revista Prospere.