A computação quântica ainda não chegou ao ponto de quebrar a criptografia utilizada em larga escala. O problema para empresas e governos é que proteger informações digitais exige planejamento com muitos anos de antecedência.
O NIST, instituto norte-americano responsável por padrões tecnológicos, já finalizou três padrões de criptografia pós-quântica: ML-KEM, para estabelecimento de chaves, e ML-DSA e SLH-DSA, para assinaturas digitais. A recomendação é que organizações iniciem a migração para algoritmos resistentes a futuros ataques quânticos.

O mundo precisa se planejar antecipadamente. | Dustin Moody, matemático e pesquisador do NIST responsável pela área de criptografia pós-quântica.
A preocupação envolve também um cenário conhecido como “harvest now, decrypt later”, ou “colete agora, descriptografe depois”. Um atacante pode copiar hoje dados criptografados que permanecem valiosos por anos e esperar que computadores quânticos suficientemente poderosos sejam capazes de quebrá-los no futuro.
Para bancos, empresas de tecnologia, sistemas públicos e organizações que armazenam informações sensíveis por longos períodos, a questão deixa de ser apenas comprar novos equipamentos. É preciso identificar onde algoritmos vulneráveis estão presentes, atualizar sistemas e criar uma estratégia de chamada “agilidade criptográfica”, capaz de substituir algoritmos sem reconstruir toda a infraestrutura. O NIST trabalha atualmente justamente com esse processo de migração.

O prazo é difícil de prever. O próprio NIST destaca que ninguém sabe quando surgirá um computador quântico capaz de representar uma ameaça criptográfica relevante. Ao mesmo tempo, a integração de novos padrões pode levar muitos anos, o que explica por que a migração começa antes de existir uma ameaça operacional.
A corrida, portanto, não acontece quando o primeiro computador quântico conseguir quebrar um sistema. Ela acontece agora, enquanto empresas ainda têm tempo para descobrir quais dados precisam continuar protegidos amanhã.