Durante décadas, a infraestrutura financeira funcionou sobre registros, intermediários e processos separados. A tokenização começa a aproximar ativos e contratos de ambientes digitais programáveis, criando a possibilidade de automatizar determinadas etapas de uma transação e conectar pagamento e entrega de um ativo em uma mesma infraestrutura.
No Brasil, esse movimento ganhou uma infraestrutura institucional com o Drex. O Banco Central define a plataforma como um ambiente integrado e padronizado para transações financeiras com ativos digitais, acessado por meio de intermediários autorizados, como bancos.

O desafio e compromisso nesta fase inicial é garantir a privacidade das transações financeiras e avançar com a programabilidade e a descentralização de ativos. | Fabio Araujo, coordenador da Iniciativa Drex e consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos do Banco Central.
Na prática, a tokenização permite representar digitalmente determinados direitos ou ativos em uma infraestrutura que pode incorporar regras automáticas. O Banco Central testou, ainda no piloto, operações envolvendo ativos tokenizados e mecanismos de entrega contra pagamento.
A segunda fase do Piloto Drex aprofundou diferentes possibilidades, incluindo aplicações relacionadas a ativos do mundo real, conhecidos pela sigla RWA. O próprio Banco Central classifica a tokenização desses ativos como uma das tendências avaliadas em seus programas de inovação.

Isso pode reduzir etapas, criar novos formatos de negociação e ampliar a capacidade de programar transações. Mas o avanço tecnológico não elimina os desafios regulatórios. Privacidade, segurança, governança e definição jurídica dos ativos continuam sendo elementos fundamentais para que o modelo saia dos testes e alcance operações reais em escala.
O ponto mais importante é que tokenização não significa simplesmente colocar um investimento em uma blockchain. Trata-se de repensar como propriedade, transferência, pagamento e registro podem funcionar dentro de uma infraestrutura digital.
O Brasil ainda está construindo esse mercado. Mas o avanço do Drex mostra que a próxima transformação financeira pode acontecer menos na aparência dos ativos e mais na infraestrutura invisível que permite movimentá-los.