A economia brasileira continua crescendo, mas em um ritmo menor. O Produto Interno Bruto avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 1,1% registrados nos primeiros três meses do ano. O dado mais sensível, porém, veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% no período.
O movimento revela os efeitos de um ambiente ainda marcado pelo custo elevado do crédito. Mesmo após o início do ciclo de flexibilização monetária, a taxa básica de juros permanece em 14%, mantendo pressão sobre financiamentos, investimentos e decisões de consumo.

Os ventos contrários estão se acumulando, e esperamos que a atividade permaneça estagnada no segundo semestre. | Rodolfo Margato, economista da XP
A desaceleração não atinge todos os setores da mesma forma. A agropecuária apresentou crescimento de 2,8% no trimestre, impulsionada por colheitas importantes, enquanto serviços avançaram apenas 0,2% e a indústria registrou alta de 0,1%.
Para empresas e consumidores, o cenário exige maior cautela. Juros elevados encarecem a expansão dos negócios e reduzem o espaço para compras financiadas, enquanto famílias mais endividadas tendem a priorizar gastos essenciais.

O desafio para os próximos meses será encontrar um equilíbrio entre o controle da inflação e a manutenção da atividade econômica. Os números mostram que a economia brasileira ainda avança, mas o motor perdeu velocidade.