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Esporte na infância pode preparar meninas para a liderança
Saúde
01.09.2026

Esporte na infância pode preparar meninas para a liderança

Pesquisas associam a permanência de meninas no esporte ao desenvolvimento de habilidades como disciplina, resiliência, confiança e trabalho em equipe, competências valorizadas no mercado.

A quadra, a pista ou o campo podem ensinar muito mais do que fundamentos esportivos. Estudos internacionais apontam que meninas que permanecem por mais tempo envolvidas com atividades esportivas apresentam maior probabilidade de desenvolver competências relacionadas à liderança e à vida profissional.

Um levantamento da EY Women Athletes Business Network mostra que 94% das mulheres em cargos de alta liderança praticaram esportes durante a juventude. Entre elas, 54% chegaram a competir em nível universitário. Nas empresas da lista Fortune 500, 80% das executivas também tiveram experiência esportiva quando jovens.

Um bom treinador não cria relações de dependência, mas ensina jovens atletas a desenvolverem independência, pensamento crítico e capacidade de tomar decisões. | Susan Crown, fundadora e presidente do conselho da Susan Crown Exchange.

O impacto do esporte vai além dos resultados físicos. Pesquisa da Women’s Sports Foundation indica que quanto mais tempo uma menina permanece praticando uma modalidade, maiores são as possibilidades de desenvolver habilidades de liderança. O estudo também aponta que 67% das mulheres utilizam profissionalmente aprendizados adquiridos no esporte, como lidar com pressão, superar adversidades e trabalhar em equipe.

Nesse processo, os treinadores têm papel decisivo. Mais do que ensinar técnicas, eles podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da confiança e da inteligência emocional. O problema é que nem todos estão preparados para essa função: segundo o State of Play 2020, do Aspen Institute, menos de um terço dos cerca de seis milhões de treinadores esportivos dos Estados Unidos recebeu formação específica para trabalhar com o desenvolvimento de jovens.

A importância dessa relação aparece em histórias como a de Vanessa Garcia-Brito, vice-presidente e diretora de impacto da Nike. Na adolescência, ela recebeu de um treinador de atletismo o incentivo para continuar praticando corrida mesmo precisando trabalhar depois das aulas. O profissional adaptou os horários dos treinos, eliminando uma barreira que poderia tê-la afastado do esporte.

A experiência permaneceu como referência em sua trajetória. Para Garcia-Brito, os desafios enfrentados nos treinamentos ajudaram a desenvolver disciplina, perseverança e preparação mental, competências que continuaram presentes em sua carreira. Iniciativas como o Million Coaches Challenge e o Girls on the Run seguem a mesma lógica ao capacitar treinadores e criar ambientes que valorizem desenvolvimento, acolhimento e confiança.

No fim, o esporte pode funcionar como uma espécie de laboratório para a vida profissional. Cada treino traz decisões, erros, pressão, colaboração e novas tentativas. Quando meninas encontram ambientes seguros e treinadores preparados para orientá-las, essas experiências podem se transformar em repertório para desafios que vão muito além da competição.

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