Durante anos, o modelo de software como serviço foi simples de entender: a empresa contratava uma plataforma e pagava uma mensalidade por usuário. O avanço dos agentes de inteligência artificial começa a romper essa lógica porque o software deixa de ser apenas uma ferramenta utilizada por pessoas e passa, cada vez mais, a executar tarefas sozinho.
Essa mudança cria uma pergunta comercial importante: se um agente trabalha em nome de um usuário, por que cobrar apenas pelo número de pessoas com acesso? A Deloitte aponta que os modelos tradicionais de cobrança por licença ou “seat” podem perder capacidade de representar o valor entregue por sistemas autônomos. Em seu cenário para 2026, a consultoria identifica crescimento de modelos baseados em uso e resultado.

À medida que os agentes de IA entram em uso mais amplo, os modelos tradicionais de precificação podem não ser suficientes para refletir a verdadeira troca de valor entre fornecedor e cliente. | David Jarvis, líder sênior de pesquisa do Deloitte Center for Technology, Media & Telecommunications
Na cobrança por uso, o cliente pode pagar pelo número de ações executadas, chamadas de API, créditos consumidos ou tarefas realizadas. Em modelos mais sofisticados, o pagamento pode estar ligado diretamente ao resultado, como uma solicitação de atendimento resolvida por um agente.
A mudança já aparece nas estratégias de grandes fornecedores. A Atlassian anunciou um modelo ampliado de cobrança baseada em uso para sua plataforma de IA, incluindo créditos, etapas de automação e resoluções concluídas por agentes. As novas métricas entram em vigor em dezembro de 2026.

O movimento também muda o desafio para quem vende tecnologia. Para cobrar pelo resultado, é necessário definir exatamente o que representa uma tarefa concluída, uma resolução ou um resultado gerado pela IA. A própria Deloitte alerta que atribuir valor a sistemas formados por múltiplos agentes pode ser complexo.
O mercado, portanto, não está simplesmente abandonando o modelo SaaS. Está tentando descobrir qual unidade de cobrança faz sentido quando o principal usuário do software pode ser uma máquina que trabalha em escala.