Os leilões de imóveis deixaram de ser uma estratégia restrita a investidores especializados para ganhar espaço entre pessoas físicas em busca de oportunidades no mercado imobiliário. Segundo dados da plataforma SPY Leilões, o segmento movimentou R$ 420 bilhões em 2025, período em que foram realizados 299.732 leilões em todo o país. Apenas no primeiro semestre, 116,6 mil imóveis foram arrematados, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço ocorre em um cenário de juros elevados e crédito imobiliário mais restritivo. Com financiamentos mais caros e maior pressão financeira sobre as famílias, cresce tanto a oferta de imóveis retomados por instituições financeiras quanto o interesse de investidores que enxergam nos leilões uma oportunidade de adquirir ativos com descontos relevantes.

Os descontos continuam sendo o principal atrativo da modalidade. De acordo com a Associação Brasileira de Arrematantes de Imóveis (Abraim), os imóveis são negociados, em média, por 37,3% abaixo do valor de avaliação, oferecendo uma margem inicial que muitos investidores consideram estratégica diante da valorização mais moderada do mercado tradicional.
Ao mesmo tempo, o número de brasileiros que enxergam imóveis como ativos financeiros segue crescendo. Dados da B3 mostram que o total de investidores pessoas físicas em fundos imobiliários ultrapassou 3,1 milhões em março de 2026, evidenciando o fortalecimento da cultura de investimento no setor e a busca por alternativas além da compra convencional.
Descontos médios de 37,3% em relação ao valor de avaliação ajudam a explicar por que os leilões imobiliários vêm atraindo cada vez mais investidores. | Dados da Associação Brasileira de Arrematantes de Imóveis (Abraim).
Especialistas alertam, porém, que oportunidades atrativas exigem análise cuidadosa. Questões como ocupação do imóvel, pendências jurídicas, custos de regularização e despesas adicionais podem influenciar significativamente a rentabilidade do investimento. Por isso, a leitura detalhada do edital permanece uma etapa indispensável antes de qualquer lance.

Mais do que refletir um momento econômico específico, o crescimento dos leilões imobiliários demonstra como investidores têm adaptado suas estratégias diante de um ambiente de juros elevados. Em um mercado cada vez mais orientado por análise de risco e busca por ativos descontados, essa modalidade consolida seu espaço como uma alternativa relevante para diversificação patrimonial.