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Lisa Davis: como mulheres podem conquistar espaço em ambientes corporativos ainda dominados por homens
Negócios
01.09.2026

Lisa Davis: como mulheres podem conquistar espaço em ambientes corporativos ainda dominados por homens

Em livro lançado em 2026, executiva reúne quatro décadas de experiência em governo, tecnologia e saúde para discutir poder, influência e os obstáculos que ainda moldam a carreira feminina.

Há uma diferença entre chegar a uma sala de decisão e ser ouvida dentro dela. Foi a partir dessa experiência que a executiva americana Lisa Davis escreveu The Only Woman in the Room: How to Win in a Workplace (Still!) Built for Men, lançado em março de 2026. Ao longo de quatro décadas, ela ocupou posições de liderança em ambientes tão distintos quanto governo, academia, tecnologia e saúde, muitas vezes como a única mulher à mesa.

Sua trajetória inclui passagens pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Georgetown University, Intel e Blue Shield of California. A experiência deu origem a um livro que combina memória pessoal e orientação prática para profissionais que precisam navegar por estruturas que, segundo Davis, ainda não acompanharam completamente as transformações do mercado de trabalho.

As dinâmicas de poder estão acontecendo na sala, independentemente de você escolher participar delas ou não. | Lisa Davis, autora de The Only Woman in the Room.

Mais do que competência, influência

Para Davis, competência é apenas uma parte da equação. Em ambientes competitivos, profissionais também precisam compreender como decisões são tomadas, quem exerce influência e de que maneira as próprias ideias ganham espaço. A autora defende que essas dinâmicas podem ser aprendidas, em vez de tratadas como uma característica inata de quem ocupa posições de poder.

A comunicação também aparece entre os pontos centrais do livro. Davis recomenda reduzir a hesitação ao apresentar ideias, decisões e recomendações, substituindo uma linguagem excessivamente cautelosa por posicionamentos claros e sustentados por argumentos. Para ela, construir influência não significa abandonar a autenticidade, mas reconhecer o próprio conhecimento e ocupar o espaço de fala correspondente a ele.

Visibilidade não se constrói apenas quando surge uma oportunidade

Outro princípio defendido por Davis é a construção contínua de redes profissionais. Em vez de procurar contatos apenas quando uma promoção ou mudança de carreira aparece, ela recomenda cultivar relacionamentos ao longo do tempo e ampliar a presença em diferentes espaços de decisão. Mentoria e patrocínio também ganham importância nesse processo, especialmente para profissionais que ainda estão construindo influência.

A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre quem busca crescer. Davis defende que as próprias organizações precisam rever sistemas que dificultam o acesso de mulheres e outros grupos sub-representados a oportunidades estratégicas. Isso inclui criar condições para participação em decisões importantes, ampliar redes de apoio e tornar mais transparentes os critérios de promoção.

O poder também está em saber descansar

Um dos aspectos menos convencionais da abordagem de Davis é tratar o descanso como uma competência de liderança. Depois de anos priorizando as demandas executivas, ela passou a considerar a recuperação parte da capacidade de tomar boas decisões. Em entrevista à Forbes, afirmou que estar mais descansada melhora sua capacidade de manter a serenidade e decidir com mais clareza.

O livro também aborda temas como construção de patrimônio, relações de poder, influência e os custos pessoais de tentar avançar em sistemas que não foram desenhados para contemplar diferentes trajetórias.

A experiência de Davis ajuda a deslocar a discussão sobre liderança feminina. O desafio não está apenas em preparar mulheres para ocupar cargos de comando, mas em questionar por que determinados ambientes continuam produzindo salas onde elas são exceção.

A autora não propõe esperar que essas estruturas mudem para então avançar. Sua proposta é mais pragmática: compreender as regras que existem, desenvolver influência dentro delas e, ao mesmo tempo, pressionar para que deixem de ser necessárias.

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