O topo da hierarquia corporativa brasileira ainda é majoritariamente masculino. Apenas 5,2% dos cargos de CEO nas maiores empresas que atuam no país são ocupados por mulheres, segundo o estudo Women at the Top 2026, do Evermonte Institute. O levantamento analisou 2.153 empresas e identificou 112 companhias lideradas por mulheres.
A proporção brasileira está próxima da média mundial. Segundo a edição mais recente do relatório Women in the Boardroom, da Deloitte, 6% dos CEOs globais são mulheres. No Brasil, a própria Deloitte registrou 2,4% de CEOs mulheres em sua amostra de 2023, mostrando como diferentes metodologias e universos pesquisados produzem retratos distintos do mercado

As barreiras seguem aparecendo ao longo da trajetória profissional, especialmente em temas ligados à visibilidade, reconhecimento e acesso às oportunidades de crescimento. | Priscila Schapke, sócia da Evermonte.
O caminho até a presidência é mais exigente
O tempo necessário para chegar ao comando é praticamente o mesmo para homens e mulheres: cerca de 18 anos e dez posições profissionais. A diferença aparece no percurso. As executivas analisadas passaram, em média, por cinco empresas, enquanto os homens passaram por quatro.
A formação também pesa. Mulheres que chegaram ao cargo de CEO acumulam, em média, quase três MBAs ou pós-graduações, contra pouco mais de uma especialização equivalente entre os homens. O dado sugere que, para alcançar a mesma posição, as executivas percorrem uma trajetória marcada por maior mobilidade profissional e investimento acadêmico.

O gargalo aparece antes do topo
Segundo o estudo da Evermonte, o principal ponto de perda de participação feminina ocorre na transição entre a gerência e a diretoria. É nessa etapa que a presença das mulheres sofre uma queda mais acentuada, justamente em um momento da carreira que frequentemente coincide com mudanças familiares e aumento das responsabilidades fora do trabalho.
A concentração regional também chama atenção. O Sudeste reúne 67,5% das CEOs mulheres identificadas pelo levantamento, com São Paulo respondendo por 51,4% e o Rio de Janeiro por 10,3%. Entre os setores, bens de consumo apresenta a maior participação, com 17,1%, seguido por saúde, com 9%, e serviços, com 8,1%.
A diversidade, porém, não representa apenas uma questão de presença. Pesquisa da McKinsey aponta que empresas no quartil superior de diversidade de gênero em suas equipes executivas tinham 21% mais probabilidade de apresentar desempenho financeiro superior aos pares.
O desafio, portanto, começa antes da cadeira de CEO. Para ampliar a presença feminina no comando, empresas precisam fortalecer o caminho que leva até ela, com critérios transparentes de promoção, desenvolvimento de lideranças, mentoria e acesso a experiências estratégicas.
O estudo da Evermonte mostra que as mulheres já chegam ao topo com tempo de carreira semelhante ao dos homens. A diferença está no caminho percorrido para chegar lá.