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O maior risco das empresas familiares pode estar dentro de casa
Economia
06.09.2026

O maior risco das empresas familiares pode estar dentro de casa

A ausência de planejamento sucessório ameaça a continuidade de empresas que atravessaram gerações.

Para uma empresa familiar, preparar a próxima geração não é apenas uma questão de patrimônio. É uma decisão estratégica que envolve liderança, governança, propriedade e capacidade de manter o negócio competitivo quando o fundador ou atual controlador deixar a gestão.

O problema é que essa preparação ainda está longe de ser uma prática universal. Segundo um levantamento do IBGC citado em debate sobre sucessão empresarial, 72% das empresas familiares brasileiras não tinham um plano de sucessão para cargos-chave, dado referente à pesquisa realizada pelo instituto em 2019.

A sucessão deve ser encarada como um processo estratégico que requer profissionalismo, previdência, comprometimento e zelo individual e coletivo. | Carlos Velloso, Andriei Beber, Bruno Basso, Carl Heinz, Léia Wessling e demais autores de estudo publicado pelo IBGC sobre sucessão em empresas familiares.

O desafio não termina na escolha de quem será o sucessor. É necessário definir critérios, preparar lideranças, distribuir responsabilidades e estabelecer mecanismos capazes de separar questões familiares das decisões empresariais. A Deloitte destaca que estruturas de governança são fundamentais para orientar a sucessão gerencial e que a falta de preparação pode limitar a autoridade e a capacidade de inovação da próxima geração.

A realidade brasileira mostra que algumas organizações já estão em processos mais avançados. Pesquisa da KPMG aponta que 42% dos CEOs das empresas familiares brasileiras pesquisadas pertencem à segunda geração, enquanto 39% estão na primeira. O mesmo levantamento mostra que apenas 31% contavam com conselho de administração.

A sucessão, portanto, não precisa ser tratada como o momento em que alguém simplesmente assume a cadeira de outra pessoa. Ela começa muito antes, com formação, experiência, governança e conversas que permitam à família construir um acordo sobre o futuro do negócio.

Quando esse processo é adiado, a empresa fica mais exposta justamente no momento em que deveria estar mais preparada. Planejar a sucessão é, no fim, planejar a própria continuidade.

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